O artista gráfico Pojucan resgatou a iconografia dos sorrisos de Carmen Miranda em exposição chamada “Sorrisos de Carmen”, no Espaço Sesc do Sesc Rio de Janeiro. A exposição começa no dia 28 de julho até o dia 20 de setembro e as fotos antigas fazem parte do acervo do Museu Carmen Miranda.

Tive o prazer de escrever o texto de apresentação – do catálogo e exposição – à convite deste criativo artista e designer. Abaixo, coloco o texto.

As Facetas de um Sorriso

Não se trata de uma boca qualquer. Mas sim, de Carmen, a Miranda. Faz parte de nossa memória imagética. A boca bem marcada pelo batom vibrante e avassalador tornou-se o ícone daquela mulher. O riso performático, rasgado e onipresente nos registros fotográficos converte-se em símbolo, jorra-nos uma série de significados. Parte desse sorriso esfuziante nos aproxima da persona (do lado visível da artista), em contraponto a tal singularidade, essa mesma boca nos envolve e nos coloca diante de uma representação visual de extrema subjetividade.

Os retratos de Carmen Miranda denotam muito mais do que um simples registro fotográfico da artista. A expressão feminina é tematizada através da força plástica dos lábios. Carmen Miranda criou e tornou o seu sorriso em código a serviço de sua arte. E, portanto, estabeleceu uma fusão entre a boca que vira ícone – de seu tempo, de suas conquistas e vicissitudes – e a simbologia que dela apreendemos. De uma simples gestualidade, a figura emblemática de Carmen Miranda nos envolve além de tal recorte temático. Essa mesma boca tão expressiva é passível das sutilezas de todo um contexto sócio-cultural que a dimensiona como símbolo feminino de extenso vigor para toda uma geração.

Nunca esqueceremos o sorriso de Carmen. Trata-se de uma relação de imaginário, algo pessoal, tropical, alegórico e sensorial. Como assim o foi para Pojucan. As criações deste artista tensionam um mar de sentidos. Pojucan inspira-se, apropria-se de belos retratos para estabelecer a singularidade do seu olhar. Desse modo ele restaura uma vida, um passado, uma história e constrói outras perspectivas para nós. As imagens de Pojucan trazem a latência refinada das coisas sensíveis que provêm da inspiração. Sugestionam determinada vibração cromática que nos revela o olhar contemporâneo e feérico a partir dos retratos em preto e branco.

A boca segue como tema. Não menos vigorosa, porém mais apurada pelo recorte fechado da composição. Na visualidade criativa do artista podemos sentir certo movimento às imagens. Pojucan extrai a essência do sorriso de Carmen Miranda numa espécie de miríade através da qual podemos celebrá-la, contemplá-la, mas, sobretudo, resgatá-la do passado. Já não é mesma boca que havia descrito no primeiro parágrafo. Agora, ela sofrera uma ressignificação. Serão as das fotografias antigas e as da imaginação de Pojucan. E assim, reformulamos o nosso olhar ante a poética da simples boca de uma pequena grande mulher e suas ficções.

Toni Frissel

21/07/2009

Foto: Toni Frissel

Weeki Wachee spring, Flórida, 1947

Para a fotografia, em alguns momentos, o mundo da moda foi um campo decisivo de criação denso e revigorante. Toni Frissell ou Antoinette Frissell Bacon (1907-1988) tem uma trajetória surpreendente que vale a pena ser lembrada por sua força realista e surreal.

Mitch Dobrowner

12/07/2009

Foto: Mitch Dobrowner

Novo México, 2008

Mitch Dobrowner é um daqueles fotógrafos que se aproximam assustadoramente da expressão deja vu. Suas fotografias são formidáveis e é inevitável não lembrarmos de Ansel Adams. Dobrowner fotografa natureza e meio ambiente com um refinamento particular de encher os olhos. E nos propõe a imagem enquanto estado de pura contemplação. Vale a pena observar o trabalho deste americano (cuja história pessoal representa talvez estímulo para fotógrafos em atividade e aos “adormecidos”) que através de sua fine art revela o quanto a fotografia documental pode ser reconstruida, principalmente quando o tema é paisagem.