[...] Durante uma semana, me detive em analisar as fotografias das colunas sociais dos jornais locais. E o que poderia ser apenas uma percepção de retratos corriqueiras em eventos sociais, não se esgotou no conceito de que muitos – inevitavelmente com certo ranço e algum preconceito –, consideram de autopromoção ou exibicionismo [...].

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Publicado no Pernambuco – Suplemento Cultural em janeiro de 2008.

[...] A partir de uma análise sócio-cultural da iconografia pesquisada, remontei narrativas simbólicas e pautas sociais determinantes para a aristocracia canavieira. De maneira que abordei as representações visuais e conseqüentemente seus valores sociais – verdadeiros índices, quanto a questões de parentesco, gênero,  cânones morais, religiosidade, costumes e relações interétnicas. Entretanto, ao discutir sobre identidade (algo indelével aos retratos), se observa a alteridade entre dominantes (senhores de engenho) e dominados (escravos); de como se constrói a imagem do outro e portanto como os paradigmas estéticos são elaborados enquanto mecanismo de distinção social, como também expressão de poder e ideologia [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 20 de janeiro de 2008.

[...] Há muito, a fotografia contemporânea transcendeu alguns dos seus pressupostos epistemológicos que lhe postulavam, enquanto suporte, a veracidade  do registro e sua importância como estatuto de captura dos códigos do real. Ao longo da historiografia da imagem fotográfica, se observa que tais barreiras foram suplantadas – o que permitiu que novas perspectivas pudessem formular leituras e olhares subjugando o signo aparente. As coisas subverteram-se e o objeto a ser fotografado já não estava a serviço do simples reflexo da realidade, de uma leitura puramente pela identidade ou por seu reconhecimento [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 22 de setembro de 2007.

Pablo Picasso

20/03/2008

[...] Com relação aos museus, Picasso os refutava porque “acrescentamos aos quadros dos museus todas nossa estupidez, enganos e pobreza de espírito, no lugar de tratar de procurar a vida interior que existira nos homens que os pintaram”. No entanto, longe dos contemporâneos museus-espetáculos, o Museu Picasso é distinto. Sua concepção representa a antítese disso. Pois, foi proposto de maneira mais intimista, desde a exposição de obras doadas pelos  parentes do artista (estima-se que seja uma coleção no valor de US$ 206 milhões) até a estrutura do museu. Esta trabalhada para seguir o princípio de simplicidade de Picasso em expor seus trabalhos artísticos [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 21 de novembro de 2003.

Museu do Estado

20/03/2008

[...] Seu acervo  riquíssimo, compreende desde mobiliário do século 17 ao 19, a gravuras que retratam o período holandês em Pernambuco, a objetos de terreiros de cultos afro-brasileiros, um conjunto de artefatos indígenas e o significativo acervo da arte pernambucana. Diversa, regional e preciosa, assim poderíamos sintetizar o que representa para a memória visual pernambucana o acervo do Museu do Estado. Nunca é demais registrar: sua reserva técnica contém mais de 12 mil peças. Ali, está armazenada uma bela parte do patrimônio artístico e cultural do Estado de Pernambuco [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 11 de novembro de 2003.

[...] O que podemos ponderar, sem contudo ser definitivo ou conclusivo pois a temática não se esgota e aí é onde reside o fascínio e virtuosismo do barroco, é que em Pernambuco características pontuais do estilo importado da Europa causaram efeitos: criatividade e poéticas autênticas. Permaneceram com os preceitos básicos de maximizar o ritmo e a harmonia, sem lançar mão da arte minuciosa e elaborada – peculiar dos entalhes, das pinturas e das esculturas em pedra. [...]

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Publicado no Jornal do Commercio em 03 de junho de 2003.

[...] Os holandeses lançaram a seguinte fórmula para perpetuar as diferenças estilísticas na arquitetura: não permitiram que os moradores de Olinda desmontassem suas casas para aproveitar o material em novas construções em Recife. Assim, quem fosse pego desmontando ou roubando uma telha ou tijolo sem a devida permissão era punido [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 27 de maio de 2003.

[...] A arte barroca (séc. XVII e XVIII) que se desvela dentro de uma historicidade, estabelecida como ideologia religiosa (em defesa da Contra-Reforma), política (poder Absolutista), colonialista – empregada como missão de persuasão e aculturação (domínio de ânimos dos colonizados) – e criada pela Igreja Católica, respaldada pelo Concílio de Trento (1563) que ditou as regras dessa arte, transforma a estética em objeto de propaganda de um status quo e em manutenção da ordem social-política-religiosa. Em solo pernambucano, os portugueses trouxeram a ideologia, o esboço da sua arte barroca. Não foram inócuos, mas a própria região deu conta de trabalhar o estilo Barroco com características peculiares [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 20 de maio de 2003.

Guernica

20/03/2008

[...] Só que Picasso não exprime a crueldade por meio da simples  representação do horrível; nos transmite este sentimento com mais força, porque recorre a um ritmo sacudido, a um traço incisivo, a anomalias de formas, a valores trabalhados com dureza. O horrível vai além das aparências, sai de dentro do lamento das figuras. Modela a expressão, como se Picasso vivenciasse a crueldade humana sofrida por cada uma delas, em suas diversas reações/sentimentos [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 09 de abril de 2003.

[...] A perfeição das imagens de Vermeer denota a essência da pintura de interior holandesa. As imagens constituem uma homogeneidade quanto ao léxico técnico e à percepção apurada da realidade. Assim, podemos destacar a precisão da composição, da representação da luz e das similitudes dos objetos retratados. De modo que, o mais surpreendente destas obras surge do realismo pictórico que apresentam. Em termos de estilo, a pintura de gênero holandesa constrói a representação da realidade por meio de um alto nível técnico e óptico (com a utilização da câmara escura, que alguns artistas usavam para seu ofício) [...].

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Publicado no Jornal do Commercio em 01de abril de 2003.